Ela me arrastou pelo corredor enquanto as luzes iam e vinham rapidamente; mais um truque moderno para esconder todas as faces. A música alta, cores correndo pelo teto e pelo chão. Aquelas pessoas no meio da pista dançavam cada vez mais aos pares e trios. Ninguém conseguia parar com aquela música. Mas lá estávamos nós, meu corpo colado ao dela e aquele corredor estreito quase nos escondia. Quase.
Empurrou-me na parede e abocanhou minha boca com ferocidade, escalando meu corpo, sentindo cada vez mais que aquilo estava “fazendo efeito”. Eu não queria aquilo, mas de qualquer forma quem resistiria? Inverti a situação e simplesmente a prendi em meus braços e pernas, ainda naquele cantinho. Sorrindo, mordiscou o lóbulo da minha orelha e disse:
-Morde.
“Que sorte”, é o que eu normalmente pensaria, naquele caso também, mas nada parecia fazer diferença naquela hora. Desci pelo seu corpo e sem nenhuma cerimônia subi sua saia. Sem perder aquele contato ela continuou sorrindo, me deu total acesso a si, sem nenhum medo ou pudor.
-Tudo é natural. – falou sorrindo, desceu suas mãos pelo meu corpo e fez tudo o que tinha de fazer.
Em segundos, com a minha respiração descompassada, compus toda a minha calma e notei tudo o que tinha esquecido. Sentindo raiva de cada gota do meu ser, disse:
-Porque a gente não se esquece?
O que devia ser assim nunca aconteceu. Em toda a minha indignação, fechei meus olhos e fui embora.
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Um comentário:
cara, que texto lindo... :)
engraçado que ele passa vários sentimentos ao mesmo tempo. e eu me identifiquei horrores com tudo, há.
beijo, moça :*
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