sexta-feira, 30 de maio de 2008

You give me fever (Y)

Ela me arrastou pelo corredor enquanto as luzes iam e vinham rapidamente; mais um truque moderno para esconder todas as faces. A música alta, cores correndo pelo teto e pelo chão. Aquelas pessoas no meio da pista dançavam cada vez mais aos pares e trios. Ninguém conseguia parar com aquela música. Mas lá estávamos nós, meu corpo colado ao dela e aquele corredor estreito quase nos escondia. Quase.
Empurrou-me na parede e abocanhou minha boca com ferocidade, escalando meu corpo, sentindo cada vez mais que aquilo estava “fazendo efeito”. Eu não queria aquilo, mas de qualquer forma quem resistiria? Inverti a situação e simplesmente a prendi em meus braços e pernas, ainda naquele cantinho. Sorrindo, mordiscou o lóbulo da minha orelha e disse:
-Morde.
“Que sorte”, é o que eu normalmente pensaria, naquele caso também, mas nada parecia fazer diferença naquela hora. Desci pelo seu corpo e sem nenhuma cerimônia subi sua saia. Sem perder aquele contato ela continuou sorrindo, me deu total acesso a si, sem nenhum medo ou pudor.
-Tudo é natural. – falou sorrindo, desceu suas mãos pelo meu corpo e fez tudo o que tinha de fazer.
Em segundos, com a minha respiração descompassada, compus toda a minha calma e notei tudo o que tinha esquecido. Sentindo raiva de cada gota do meu ser, disse:
-Porque a gente não se esquece?
O que devia ser assim nunca aconteceu. Em toda a minha indignação, fechei meus olhos e fui embora.

domingo, 4 de maio de 2008

Não vou falar sobre amigos, não vou falar sobre novelas. Nem muito menos vou falar de assuntos polêmicos. Em realidade, nem tenho sobre o que escrever. Minha inspiração para novos projetos parece estar se esvaindo e levando consigo todas aquelas idéias que estavam adormecidas na minha mente.
Fico muito feliz de saber que um amigo conseguiu escrever pra mim. Obrigada, Zepp.
Enfim, à escrita.

~º~

Procurando aquela luz no fim do túnel, juntei todo o fôlego possível e busquei a todo custo alcançar aquilo que queria. Como um homem na plenitude do seu vício, como aquele fruto proibido que tanto tenta e consegue a rendição. Mesmo no mais enuveado pensamento meu, quase não pensava, não sentia o pensar. Apenas o pulsar, a pele, o momento.
Meus cabelo soltos e desgrenhados assumiam uma forma que nem eu conseguia denominar, em meio a todos os meus adjetivos. Meus olhos perderam o foco e tudo transformou-se na luz que procurava. Aquela luz plena e apassivadora; aquela luz que vinha e ia em segundos. Minha respiração? Não podia dizer, quase não a sentia em meio a tantas sensações.
Aquele sorriso solitário veui depois de tudo e acalmou todo o meu ser, enquanto ao me levantar senti-me vazia em toda a minha completude.