Ela pousou o cigarro no cinzeiro mais próximo, seus olhos pequenos focalizaram a tela do computador. Cerrou-os e apagou pela milésima vez tudo o que já tinha escrito. Se cansara de tentar alcançar toda a perfeição nas suas palavras, algo que se tornava cada vez mais difícil.
Ela era proporcional. Seus cabelos pequenos e quase loiros, seu semblante calmo e ao mesmo tempo fechado, altura mediana, sorriso lunaticamente conveniente e um gosto por roupas escuras e all stars surrados. Um alguém como outro qualquer, ou até mesmo diferente de qualquer um. Seus pulsos marcados e olheiras profundas. Ela precisava escrever.
Tragou novamente e escreveu um pouco daquela história que tomava-lhe todo o sono. A história de um homem perdido entre livros, vontade de errar e a morbidez profunda. O que mais queria naquela hora era apenas uma garrafa de vodka e conseguir fechar aquele capítulo. Mais algumas palavras escritas e saiu dali. Correu para o banheiro e fez a única coisa que conseguia levá-la à realização. Nem cigarro, nem bebidas, nem drogas e nem fugir. Aquilo sim era o seu supra-sumo.
Ana respirou fundo e colocou um casaco por cima da sua camisa preta. Pegou suas chaves, uma carteira de cigarros e saiu em busca de si mesma e inspiração, com mais uma de suas cicatrizes.
N/A: Pra você! (Y) Ana Terra escrita e resgatada em toda a perfeição do mal do século (Y)


Um comentário:
desconhecimento leva acento?
acho que não
mas enfim
não custa perguntar
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